A SPA manifesta o seu sentido pesar pelo falecimento aos 87 anos, na sua residência em Lisboa, da compositora Clotilde Rosa, beneficiária e cooperadora da SPA desde 1976.

Clotilde Rosa, cooperadora empenhada e solidária da SPA ainda tomou posição no último número da revista “Autores”, agora a ser lançada, sobre a Lei da Gestão Colectiva, afirmando, escassos dias antes de falecer: “venho dar-vos todo o meu empenho para que possam continuar o vosso trabalho e a forma como têm gerido a nossa SPA, garante da nossa democracia”. Foi ainda, nos derradeiros dias de vida, um dos subscritores do documento de protesto contra a Lei de Gestão Colectiva do Ministério da Cultura.

Clotilde Rosa nasceu em Lisboa em 1930 e iniciou a sua carreira como instrumentista, estudando música antiga e acompanhando os movimentos de vanguarda, tendo fundado o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa com o compositor Jorge Peixinho, falecido em 1995. Completou também o Curso Superior de Piano e Harpa no Conservatório Nacional, especializando-se na interpretação de música antiga com o musicólogo Macário Santiago Kastner e integrando os Menestréis de Lisboa. Como bolseira da Fundação Gulbenkian acompanhou um importante movimento de interpretação no início da década de 60 do século passado na Holanda e na Alemanha.

Em 1963 regressou a Lisboa interpretando “Imagens Sonoras”, de Jorge Peixinho. Como harpista, fez parte da Orquestra Sinfónica Nacional, da Orquestra da antiga Emissora Nacional e colaborando com as orquestras Gulbenkian e do Teatro Nacional. A sua primeira obra em nome próprio- “Encontro”- foi distinguida na Tribuna Nacional de Compositores de Paris. Com “Variantes I” venceu o Concurso de Composição da Oficina Musical do Porto.

O conjunto da sua obra integra mais de 100 composições, sendo uma delas “O Desfigurado”, de 1987, com libreto do poeta Armando Silva Carvalho. Uma das suas obras mais recentes foi “Peaceful Meeting”, de 2016.

O corpo de Clotilde Rosa foi velado na Basílica da Estrela e cremado no Alto de São João. A SPA endereça à família da compositora e exemplar cooperadora o testemunho do seu sentido pesar por esta perda que empobrece a cultura portuguesa.

Lisboa, 21 de Dezembro de 2017

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