Katia Canton, professora-associada da Universidade de São Paulo, construiu sua carreira acadêmica em Nova York. Ali, na Steinhardt School of Visual Arts, New York University, investigou como as narrativas dos contos de fadas retratam a mulher, em diferentes versões, no percurso do tempo, desde as primeiras histórias da tradição oral, até os contos imortalizados pelos estúdios Disney e pela mídia contemporânea. Para além da vida docente, foi vice-diretora e diretora em exercício do Museu de Arte Contemporânea, cumprindo um mandato de quatro anos, que terminou em 2018.

“Aceitei o convite de Paula Castelar para dirigir as exposições do MIMA com muita felicidade pois acredito na potência do projeto e na ideia de um museu da mulher inclusivo, abraçando   vários temas e formas de expressão. O mais importante agora é darmos voz às questões mais pungentes do mundo atual pelo olhar do feminino”, afirma Canton.

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Os três temas que envolvem as próximas exposições do MIMA devem tratar de um mundo mais justo, equânime e sustentável. O MIMA entende que a sustentabilidade passa pela igualdade de oportunidades, direitos e deveres de cuidar da terra, da água, das pessoas e dos animais, protegendo a vida como um todo.

A primeira exposição, que vai inaugurar no dia 23 de novembro, na Casa da Cidadania, em São Domingos de Benfica, intitula-se Meu Corpo, Minha Língua. Antecipando o Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher, a montra apresenta diferentes representações de um feminino cuja voz comum é a língua portuguesa. De acordo com a ONU não se pode pensar um mundo sustentável onde ainda houver violência doméstica.

A exposição conta com obras de vários suportes—fotografia, desenho, roupas, instalações objetos e vídeos, reunindo obras de seis artistas como Beth Moysés, Cristina Ataíde, Rosana Paulino, Domingos Mazzilli, Teresa Milheiros e Katia Canton. Para 2020, próximas exposições já estão sendo idealizadas. A segunda exposição, Virtude e Vulnerabilidade, procurará focar na Mulher em relação às Mudanças Climáticas, pensando no papel fundamental dessa mulher nos cuidados com a terra e a água e, ao mesmo tempo, nas  condições precárias em que vive, em vários países. A terceira exposição, O Mundo da Moda e Depois vê o papel da mulher dentro desse meio, acompanhando as conseqüências da fast fashion e suas repercussões para o meio-ambiente e, sobretudo, busca mostrar alternativas, onde novas atitudes e produções sustentáveis se configuram.

Rosana Paulino e Seus Desenhos
Obra de Cristina Ataíde
Performance de Beth Moysés
Domingos Mazzilli